Entrevistas e Reportagens
CICLISMO e CICLOTURISMO

2007, ano I - página 5.




I CicloTurismo Eco Cultural


Cicloturismo realizado em 02 e 03 de novembro de 2007, na região do baixo curso do Rio Paraguaçu, Estado da Bahia, desde a sua foz (margem direita) em Salinas da Margarida/Barra do Paraguaçu até Cachoeira, perfazendo um total de 162 km, ver mapa.

A partir do terminal do Ferry Boat em Bom Despacho, Ilha de Itaparica, pedalamos cerca de 38 km pela BA 001, até a BA 534, por onde passamos pelas localidades de Cações, Mutá, Pirajuía, Encarnação, Salinas da Margarida, Conceição de Salinas, Cairu, Barra do Paraguaçu, Enseadinha do Paraguaçu, São Roque do Paraguaçu, Capanema, Maragogipe, São Félix e Cachoeira.



Uma Região Histórica


O Rio Paraguassu, que deságua na Baía de Todos os Santos, sempre apresentou excelente navegabilidade. Foi daí, que os portugueses fundaram em 1549 a sede do governo colonial no Brasil.

Logo, os portugueses descobriram as virtudes do solo massapê e do clima tropical e implantam no Recôncavo o cultivo de cana-de-açúcar. Em 1559, após duas guerras contra os índios de Jaguaripe e do Paraguassu, os colonizadores conseguiram expulsar os indígenas da região (Tapúias e Aimorés). Menos de quatro décadas depois a produção anual de açúcar ultrapassava as 120.000 arroubas.

Assim, nos primeiros cinquenta anos da cultura da cana, próspera e crescente, Portugal era o maior produtor mundial de açúcar e detinha o monopólio da comercialização e, tinha como parceiro a Holanda, que o distribuía no mercado europeu.

Com a dominação de Portugal pela Espanha, os holandeses ficaram sem parceiros e procuraram restabelecer o fornecimento de açúcar tentando controlar as áreas produtoras brasileiras.

Em 1624 ocupam Salvador, mas são expulsos no ano seguinte. Em represália, saqueiam e incendeiam os engenhos do Recôncavo seis vezes no período compreendido entre os anos de 1627 e 1648.

Em 1654, quando a economia regional se recuperava, a Europa é abastecida de açúcar pelas Antilhas, produzido pelos holandeses com a experiência adquirida no Brasil.

Sabe-se que os últimos anos do século XVII e primeiros anos do século XVIII foram relativamente prósperos para o Recôncavo devido ao preço elevado do açúcar na Europa. No entanto, este bom mercado fez com que os Senhores de Engenho ampliassem suas instalações, contraindo, portanto, dívidas, e, neste mesmo período os países da Europa passaram a produzir açúcar em suas colônias. No momento que precisavam produzir mais, para saldar as dívidas e fazer frente à produção européia, a descoberta de ouro em Minas Gerais provoca, pouco depois, uma transferência em massa de força de trabalho para aquela região, gerando uma crise na produção de açúcar, a partir de 1739.

Em 1758 ainda existiam na região quase 180 engenhos, mas seus senhores estavam integralmente endividados.

A partir de 1766 a situação melhorou, e o início do século XIX foi um período de grande prosperidade para o Recôncavo. O número de engenhos da região dobrou no período de 1800 a 1835, passando de 400 a 811.

Tal prosperidade encoraja a importação de maquinas a vapor em 1815 para o engenho Boa Vista em Itaparica e para o Engenho Pimentel, do Barão de Maragogipe. Quatro anos mais tarde, Felisberto Caldeira Brandt Pontes instalaria uma destas máquinas em um barco armado no estaleiro da Preguiça, criando, em 1819, o famoso Vapor de Cachoeira, imortalizado no folclore baiano.

Em 1834 já existiam 46 engenhos movidos a vapor no Recôncavo. Pode-se, portanto, falar de um período áureo, que foi do inicio do século XVIII ao inicio do século XIX. A partir de 1873, com a perda de duas safras em consequência de uma praga que atacou os canaviais e, devido a concorrências internacionais, inicia-se um período de grande depressão. Em 1888, a Abolição da Escravatura dá o golpe final nos engenhos. Fonte de Pesquisa: Secretaria da Cultura do Estado da Bahia.


Salinas da Margarida


A Cidade recebeu esse nome devido a uma extração de sal, existente no passado, nas terras de Margarida.

Em Salinas nos servimos da comida típica, composta de Moqueca de Camarão (região produtora de camarão em cativeiro), Moqueca de Vôngole (popular chumbinho), Moqueca de Arraia e Moqueca de Banana da Terra, deliciosamente preparadas por DINHO, nosso anfitrião.

Como ponto turístico em Salinas da Margarida destacamos a Prainha do Tubarão, a Pedra Mole (falésia com queda dágua) e a lindíssima Barra do Paraguaçu (foto abaixo).

Ciclistas do Sincronia sobre o pier de Barra do Praguaçu>


Vista do pier de Barra do Paraguaçu.

Praia de Pedra Mole - Barra do Paraguaçu, Salinas da Margarida, Bahia.

A Praia de Pedra Mole, localizada em Barra do Paraguaçu, Município de Salinas da Margarida, possui esse nome em alusão a falésia constituída de arenitos, uma rocha macia que vai sendo esculpida pela água e pelo vento. A paisagem é realmente de beleza inigualável. O atrativo principal são as águas límpidas (maré vazante) e calmas. Portanto, devemos sempre observar a tábua de maré, pois Pedra Mole é para ser visitada usufruída com a maré baixa!

Falésia da Praia de Pedra Mole.
Vejam as fotos da Praia de Pedra Mole, feitas no Cicloturismo do Sincronia em 12.01.2008.

São Roque do Paraguaçu


São Roque do Paraguaçu, Distrito do Município de Maragojipe, nascida também na época colonial, festeja seu Padroeiro São Roque no período de 17 a 22 de agosto, atraindo toda a região para uma festa grandiosa.

A foto abaixo mosta a vista da Igreja de São Roque, construída em meados do século XIX.




A foto abaixo mostra a sacada, espécie de camarote, de onde os nobres e senhores de engenho assistiam as missas e, isto evidencia a época ou seja, o período da cana de açucar, áureos tempos do Recôcavo Baiano.



Vimos também a riqueza de detalhes como eram construídos os pórticos (em madeira de lei), arcos e vitreaux (importados da Europa) das igrejas da época.



São Félix


Sua história data do período da chegada dos portugueses ao Brasil, em 1500. Quando ali chegaram encontraram os indígenas da Nação Tupinambá.

Em 1502, membros da expedição de Américo Vespúcio percorreram toda a costa da baía de Todos os Santos, entrando pelo Rio Paraguaçu. Em 1501, os portugueses encontraram vários navios franceses extraindo e transportando madeira para a Europa. Os franceses acabaram por apoderar-se da ilha hoje denominada, Ilha dos Franceses. Em 1510, finalmente, os portugueses chegaram ao local onde foi o engenho Vitória, e hoje as cidades de São Félix e Cachoeira.

A cidade de São Félix, teve importante função de terminal tropeiro, pois dela partia a “Estrada das Minas”, que passava por Rio de Contas, na Chapada Diamantina, chegando até Minas Gerais e Goiás, usada pra fazer transporte de diversos tipos de cargas.

No període de intensa atividade comercial da região, durante o século XVIII e primeira metade do século XIX que a "povoação" de São Felix. se deu com maoir velocidade.

Caminhar pelas ruas de São Félix é uma oportunidade para termos contato direto com o passado. Na foto abaixo visitamos o prédio construído no século XIX.



Foto do monumento a "São Félix do Paraguassu" construído em 1895.



Cachoeira


Cachoeira foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional, em 1971, e passou a ser considerada Monumento Nacional.

A cidade reúne grande e importante acervo arquitetônico no estilo barroco. Grande parte das construções tais como, casas, igrejas e outros prédios, preservam a imagem do Brasil Império, na época em que o comércio e a fertilidade do solo fizeram de Cachoeira a vila mais rica, populosa e uma das mais importantes do Brasil, nos séculos XVII e XVIII.




Durante o século XIX, Cachoeira projetou-se na história política do país. As lutas contra a canhoneira portuguesa, a proclamação do príncipe D. Pedro I como Regente, o bombardeio e a resistência (quando surgiu a heroína Maria Quitéria), são fatos que, ainda hoje, enchem de orgulho a população local. Durante a Guerra do Paraguai, a enfermeira cachoeirense Ana Nery alistou-se no exército brasileiro e foi de grande importância no auxílio às tropas. As histórias de glória são tantas que, no tempo do Império, a vila foi congratulada com o título de “Heróica”.



Rio Paraguaçu

O termo Paraguaçu é de origem indígena e significa "água grande". O Rio Paraguaçu tem 600km de extensão, banhando cidades tais como, São Félix, Cachoeira, Maragogipe, e as vilas de Santiago do Iguape, São Francisco do Paraguaçu, Nagé, Coqueiros, São Roque e Barra do Paraguaçu. Possui 46 km navegáveis, da foz (Barra do Paraguaçu) até as cidades de Cachoeira e São Félix.

Rio Paraguaçu - Pôr do Sol em Salinas.


Viajando por esta região é que damos conta da importância do Rio Paraguaçu e de toda a sua Bacia Hidrográfica, tanto por manter e possibilitar o desenvolvimento econômico da região, como também se constituir no principal manancial de abastecimento público da capital e da região metropolitana de Salvador.



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